19
Jan 12

Filho mas velho

O problema: o filho mais velho sente que tem mais responsabilidade, que lhe exigem mais a ele do que aos outros irmãos. Pode ser um problema para estas crianças e para os pais. O que podemos fazer para o ajudar a perceber que existem vantagens em ser o irmão mais velho?

 

Curiosidade: sabia que quase todos os presidentes americanos são irmãos mais velhos ou são o primeiro rapaz a nascer numa família? Sabia que quase todos os astronautas enviados para o espaço na primeira missão eram irmãos mais velhos, exceto dois – estes eram filhos únicos? É mais provável que um filho mais velho seja confiante, organizado, inteligente, determinado, tenha vontade de agradar e seja um líder. Também é mais provável que seja Diretor de uma empresa, ganhe um prémio Nobel e seja financeiramente independente. Há muitas vantagens em ser o primeiro filho. Este é o único que receberá todas as atenções, tempo exclusivo só para si, e isto fará toda a diferença. Com estas vantagens, porque será uma desvantagem ser irmão mais velho? Vejamos isto pelo ponto de vista da criança.  

 

Foco nos outros filhos: por mais que os pais neguem, têm um filho preferido, que normalmente é o primogénito. Afinal, o nascimento deste filho significou uma mudança drástica na nossa vida, e apesar de ser um enorme impulso para a auto-estima do seu filho mais velho, também pode alimentar a rivalidade entre irmãos. Os ciúmes podem durar muito tempo e causar uma clivagem entre o mais velho e os seus irmãos mais jovens. Então, cuidado com suas interações com seus filhos e pergunte-se  de vez em quando "Será que cada criança sente que eu a amo?"

 

Verifique a partilha de responsabilidades. Damos mais responsabilidade ao nosso filho mais velho e esperamos mais deles, mais cedo. Mas estaremos a exigir demais? O mais velho odeia quando se diz: "és o mais antigo, por isso espero mais de ti." Analise se não está a impor responsabilidades demais sobre esse filho ou a tratá-lo como se ele fosse mais velho do que é na verdade.

 

Descontraia. Embora haja vantagens para o primogénito em ter toda a nossa atenção (pelo menos até o próximo irmão chegar), ele também pode sofrer mais stress. Normalmente somos mais rigorosos com o nosso filho mais velho e deixamos que os seus irmãos mais novos fujam mais às responsabilidades. Elevamos as expectativas em relação ao mais velho e exigimos mais dele. Uma vez que é a nossa primeira experiência de parentalidade, também estamos mais ansiosos. Lembre-se: tolere mais, espere menos, respire fundo, baixe expectativas.

 

Deixe o seu filho seguir seu próprio caminho. A ordem do nascimento desempenha um papel interessante na maneira de ser dos nossos filhos. Estamos mais tensos e temos expectativas mais elevadas com o nosso mais velho, e ele tende a assumir menos riscos, mantendo-se no caminho que traçámos para ele. Também se sabe que encorajamos os nossos filhos mais velhos para desenvolver interesses na área cognitiva e analítica, com a expectativa de os levar a seguir carreiras mais prestigiadas como a jurídica ou médica. Da mesma forma, tendemos a ser mais condescendentes com os nossos filhos mais novos e muito mais receptivos a deixá-lo “desviar-se do caminho” estreito e apertado que impusemos ao mais velho, permitindo que siga os seus interesses mais artístico e criativos. A chave é identificar as paixões e pontos fortes únicos do seu filho mais velho para que ele possa seguir os seus próprios interesses que podem levá-lo à carreira de dos seus sonhos. E enquanto isso, encoraje-o a desviar-se um bocadinho da norma e a pensar “fora da moldura” como o seu filho mais novo faz tão bem.

 

Deixe que o mais velho ensine o mais novo: o filho mais velho tem mais um benefício: tem um irmão mais novo a quem ensinar. Ensinar alguém é benéfico para quem aprende mas também para quem ensina. Para ensinar, temos de aprender a dominar as matérias de forma diferente. Uma coisa é saber para nós, outra totalmente diferente é saber para ensinar. Assumindo que o mais velho quer e tem tempo, encoraje-o a ser o mentor do mais novo em diferentes situações. Mas não se esqueça de usar a mesma estratégia com o mais novo, convidando-o a ensinar alguma coisa ao irmão mais velho ou à família.

 

Alergias: vários estudos demonstram que o irmão mais velho tende mais a sofrer de alergias do que os outros filhos. Uma hipótese explicativa pode ser o facto do mais velho ser mais protegido e por conseguinte ser menos exposto a bactérias e germes, desenvolvendo um sistema imunitário mais fraco – enquanto o mais novo sempre combateu os germes que as outras crianças transportam para casa, mesmo antes da idade escolar, tornando-se mais fortes. Alguns médicos acreditam que as constipações constantes dos mais velhos não passam de alergias: nariz a pingar, ausência de febre, arrepios de frio.

 

A maior parte das nossas preocupações com o mais velho prendem-se com o sucesso que queremos que ele tenha, com a realização de todas as expectativas que fomos construindo para o dia em que fossemos pais. Mas saiba que as investigações actualmente garantem que sucesso tem muito menos a ver com QI do que se pensava. Sabe-se hoje que a Inteligência Emocional é um grande determinante do sucesso. Por isso não exija tanto deste seu primeiro filho e deixe-o descobrir por si o caminho.

publicado por paisaflitos às 15:47 | comentar | favorito
19
Jan 12

Pais galinha!

Querer proteger os filhos é normal. Protegê-los de facto também. A difícil questão que se coloca a todos os pais é saber até onde devem ir e a partir de que ponto a protecção se torna exagerada e, possivelmente, prejudicial. Conheça cinco sinais de quem já ultrapassou esse ponto.

As crianças não precisam de conhecer todas as suas angústias ou ficar a par dos seus mais pequenos problemas. E vice-versa.
 
“Faço questão de saber ao detalhe como foi o dia deles”, conta Catarina Machado, 37 anos. “Quando vamos da escola para casa já sabem que têm de me contar tudo. O mais novo [6 anos] às vezes diz: ‘Ó mamã, deixa estar, está tudo bem...’ O mais velho [9 anos] também tenta despachar-me, mas eu não desisto. Nisso sou muito incisiva.”

“As crianças gostam de saber que os pais se preocupam com elas e querem saber o que se passa quando não estão juntos. Isso é bom, no sentido de abrir a comunicação em família”, afirma a psicóloga clínica Maria João Pimentel. Mas, a não ser que haja algum sinal de alarme, “elas devem ter espaço para si próprias, guardar coisas que não querem partilhar.”

“Às vezes penso que lhes devia dar mais liberdade”, confessa Catarina Machado: “O mais velho até me cobra: ‘Ó mãe, porque é que és tão chata com essas coisas?’”

Com 9 anos, Tomás já lhe pede para o deixar fazer coisas sozinho, como ir a casa do vizinho, duas moradias abaixo, na mesma rua de uma pacata localidade rural. “Ele bem me diz: ‘Não vás espreitar!’ Mas eu não resisto e vou sempre à janela.”

“A educação para a autonomia é essencial. Exige que se aprenda a lidar com problemas, dúvidas, incertezas. Dá oportunidade para maior maturidade, uma superação de si mesmo, uma evolução pessoal”, explica Maria Dulce Gonçalves, psicóloga clínica.

“Quando me perguntam se se deve ajudar a fazer os trabalhos de casa, respondo que se deve ajudar no ponto em que a criança precisar, mas não mais do que isso”, explica Maria Dulce Gonçalves, investigadora na área da aprendizagem.

“Fiz um erro com o mais velho: se achava que ele ia fazer uma coisa mal, não lhe dava hipóteses sequer de o fazer”, assume Isabel Maurício, 38 anos. “Por exemplo, como achava que ele pintava mal, não lhe dava livros para pintar.”

Já com Bárbara Gonçalves, 36 anos, a aflição, também com o mais velho, foram os primeiros passos: “Estava sempre atrás dele, a ampará-lo. Cheguei a comprar-lhe um capacete. Depois, quando ele caía batia sempre com a cabeça porque eu não o deixava aprender a cair.”

“Facilitar a vida, satisfazer os desejos, evitar sofrimentos ou mesmo qualquer tipo de esforço, tudo é visto como sinónimo de amar. Mas esta ideia de felicidade infantil não traz nada de bom e só se traduz em sobreprotecção”, comenta Maria Dulce Gonçalves. “É importante que as crianças errem para aprenderem a gerir o erro, a frustração e a contrariedade”, acrescenta Maria João Pimentel.

Poder falar com os pais sobre tudo é muito bom, mas “a diferença de gerações é muito importante para que possam ser impostos limites e normas no funcionamento da vida familiar. Isso permite a identificação do lugar de cada um na família e é um grande organizador da vida emocional da criança”, explica a psicóloga Maria João Pimentel.

Ou seja, o mal não está tanto em dizer-se às crianças que se é o melhor amigo delas, mas em agir como tal: “Os pais não têm de ser os melhores amigos dos filhos, senão não conseguem estabelecer e fazer cumprir regras.”

Entre a escola, o apoio ao estudo, as actividades extracurriculares e os trabalhos de casa, os seus filhos podem muito bem estar ocupados de manhã à noite e ainda uma boa parte do fim-de-semana.

“No outro dia, o meu filho mais novo [5 anos] disse-me: ‘Não tenho tempo para brincar.’” De facto, admite Catarina Machado, o quarto de brinquedos está lá, mas praticamente só é usado aos domingos. A brincadeira livre, mostram várias investigações, contribui para a autonomia, a segurança e a estabilidade emocional das crianças, e para a sua felicidade.
 
“Elas têm de ter tempo não só para brincar”, como sublinha Maria João Pimentel, “mas também para escolherem o que querem fazer, para se organizarem, para pensarem.”

 

Artigo retirado de: http://www.sabado.pt//Multimedia/FOTOS/-span--b-Sociedade-b---span--(1)/Fotogaleria-(276).aspx?id=432430

publicado por paisaflitos às 10:20 | comentar | favorito