19
Jan 12

Filho mas velho

O problema: o filho mais velho sente que tem mais responsabilidade, que lhe exigem mais a ele do que aos outros irmãos. Pode ser um problema para estas crianças e para os pais. O que podemos fazer para o ajudar a perceber que existem vantagens em ser o irmão mais velho?

 

Curiosidade: sabia que quase todos os presidentes americanos são irmãos mais velhos ou são o primeiro rapaz a nascer numa família? Sabia que quase todos os astronautas enviados para o espaço na primeira missão eram irmãos mais velhos, exceto dois – estes eram filhos únicos? É mais provável que um filho mais velho seja confiante, organizado, inteligente, determinado, tenha vontade de agradar e seja um líder. Também é mais provável que seja Diretor de uma empresa, ganhe um prémio Nobel e seja financeiramente independente. Há muitas vantagens em ser o primeiro filho. Este é o único que receberá todas as atenções, tempo exclusivo só para si, e isto fará toda a diferença. Com estas vantagens, porque será uma desvantagem ser irmão mais velho? Vejamos isto pelo ponto de vista da criança.  

 

Foco nos outros filhos: por mais que os pais neguem, têm um filho preferido, que normalmente é o primogénito. Afinal, o nascimento deste filho significou uma mudança drástica na nossa vida, e apesar de ser um enorme impulso para a auto-estima do seu filho mais velho, também pode alimentar a rivalidade entre irmãos. Os ciúmes podem durar muito tempo e causar uma clivagem entre o mais velho e os seus irmãos mais jovens. Então, cuidado com suas interações com seus filhos e pergunte-se  de vez em quando "Será que cada criança sente que eu a amo?"

 

Verifique a partilha de responsabilidades. Damos mais responsabilidade ao nosso filho mais velho e esperamos mais deles, mais cedo. Mas estaremos a exigir demais? O mais velho odeia quando se diz: "és o mais antigo, por isso espero mais de ti." Analise se não está a impor responsabilidades demais sobre esse filho ou a tratá-lo como se ele fosse mais velho do que é na verdade.

 

Descontraia. Embora haja vantagens para o primogénito em ter toda a nossa atenção (pelo menos até o próximo irmão chegar), ele também pode sofrer mais stress. Normalmente somos mais rigorosos com o nosso filho mais velho e deixamos que os seus irmãos mais novos fujam mais às responsabilidades. Elevamos as expectativas em relação ao mais velho e exigimos mais dele. Uma vez que é a nossa primeira experiência de parentalidade, também estamos mais ansiosos. Lembre-se: tolere mais, espere menos, respire fundo, baixe expectativas.

 

Deixe o seu filho seguir seu próprio caminho. A ordem do nascimento desempenha um papel interessante na maneira de ser dos nossos filhos. Estamos mais tensos e temos expectativas mais elevadas com o nosso mais velho, e ele tende a assumir menos riscos, mantendo-se no caminho que traçámos para ele. Também se sabe que encorajamos os nossos filhos mais velhos para desenvolver interesses na área cognitiva e analítica, com a expectativa de os levar a seguir carreiras mais prestigiadas como a jurídica ou médica. Da mesma forma, tendemos a ser mais condescendentes com os nossos filhos mais novos e muito mais receptivos a deixá-lo “desviar-se do caminho” estreito e apertado que impusemos ao mais velho, permitindo que siga os seus interesses mais artístico e criativos. A chave é identificar as paixões e pontos fortes únicos do seu filho mais velho para que ele possa seguir os seus próprios interesses que podem levá-lo à carreira de dos seus sonhos. E enquanto isso, encoraje-o a desviar-se um bocadinho da norma e a pensar “fora da moldura” como o seu filho mais novo faz tão bem.

 

Deixe que o mais velho ensine o mais novo: o filho mais velho tem mais um benefício: tem um irmão mais novo a quem ensinar. Ensinar alguém é benéfico para quem aprende mas também para quem ensina. Para ensinar, temos de aprender a dominar as matérias de forma diferente. Uma coisa é saber para nós, outra totalmente diferente é saber para ensinar. Assumindo que o mais velho quer e tem tempo, encoraje-o a ser o mentor do mais novo em diferentes situações. Mas não se esqueça de usar a mesma estratégia com o mais novo, convidando-o a ensinar alguma coisa ao irmão mais velho ou à família.

 

Alergias: vários estudos demonstram que o irmão mais velho tende mais a sofrer de alergias do que os outros filhos. Uma hipótese explicativa pode ser o facto do mais velho ser mais protegido e por conseguinte ser menos exposto a bactérias e germes, desenvolvendo um sistema imunitário mais fraco – enquanto o mais novo sempre combateu os germes que as outras crianças transportam para casa, mesmo antes da idade escolar, tornando-se mais fortes. Alguns médicos acreditam que as constipações constantes dos mais velhos não passam de alergias: nariz a pingar, ausência de febre, arrepios de frio.

 

A maior parte das nossas preocupações com o mais velho prendem-se com o sucesso que queremos que ele tenha, com a realização de todas as expectativas que fomos construindo para o dia em que fossemos pais. Mas saiba que as investigações actualmente garantem que sucesso tem muito menos a ver com QI do que se pensava. Sabe-se hoje que a Inteligência Emocional é um grande determinante do sucesso. Por isso não exija tanto deste seu primeiro filho e deixe-o descobrir por si o caminho.

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19
Jan 12

Pais galinha!

Querer proteger os filhos é normal. Protegê-los de facto também. A difícil questão que se coloca a todos os pais é saber até onde devem ir e a partir de que ponto a protecção se torna exagerada e, possivelmente, prejudicial. Conheça cinco sinais de quem já ultrapassou esse ponto.

As crianças não precisam de conhecer todas as suas angústias ou ficar a par dos seus mais pequenos problemas. E vice-versa.
 
“Faço questão de saber ao detalhe como foi o dia deles”, conta Catarina Machado, 37 anos. “Quando vamos da escola para casa já sabem que têm de me contar tudo. O mais novo [6 anos] às vezes diz: ‘Ó mamã, deixa estar, está tudo bem...’ O mais velho [9 anos] também tenta despachar-me, mas eu não desisto. Nisso sou muito incisiva.”

“As crianças gostam de saber que os pais se preocupam com elas e querem saber o que se passa quando não estão juntos. Isso é bom, no sentido de abrir a comunicação em família”, afirma a psicóloga clínica Maria João Pimentel. Mas, a não ser que haja algum sinal de alarme, “elas devem ter espaço para si próprias, guardar coisas que não querem partilhar.”

“Às vezes penso que lhes devia dar mais liberdade”, confessa Catarina Machado: “O mais velho até me cobra: ‘Ó mãe, porque é que és tão chata com essas coisas?’”

Com 9 anos, Tomás já lhe pede para o deixar fazer coisas sozinho, como ir a casa do vizinho, duas moradias abaixo, na mesma rua de uma pacata localidade rural. “Ele bem me diz: ‘Não vás espreitar!’ Mas eu não resisto e vou sempre à janela.”

“A educação para a autonomia é essencial. Exige que se aprenda a lidar com problemas, dúvidas, incertezas. Dá oportunidade para maior maturidade, uma superação de si mesmo, uma evolução pessoal”, explica Maria Dulce Gonçalves, psicóloga clínica.

“Quando me perguntam se se deve ajudar a fazer os trabalhos de casa, respondo que se deve ajudar no ponto em que a criança precisar, mas não mais do que isso”, explica Maria Dulce Gonçalves, investigadora na área da aprendizagem.

“Fiz um erro com o mais velho: se achava que ele ia fazer uma coisa mal, não lhe dava hipóteses sequer de o fazer”, assume Isabel Maurício, 38 anos. “Por exemplo, como achava que ele pintava mal, não lhe dava livros para pintar.”

Já com Bárbara Gonçalves, 36 anos, a aflição, também com o mais velho, foram os primeiros passos: “Estava sempre atrás dele, a ampará-lo. Cheguei a comprar-lhe um capacete. Depois, quando ele caía batia sempre com a cabeça porque eu não o deixava aprender a cair.”

“Facilitar a vida, satisfazer os desejos, evitar sofrimentos ou mesmo qualquer tipo de esforço, tudo é visto como sinónimo de amar. Mas esta ideia de felicidade infantil não traz nada de bom e só se traduz em sobreprotecção”, comenta Maria Dulce Gonçalves. “É importante que as crianças errem para aprenderem a gerir o erro, a frustração e a contrariedade”, acrescenta Maria João Pimentel.

Poder falar com os pais sobre tudo é muito bom, mas “a diferença de gerações é muito importante para que possam ser impostos limites e normas no funcionamento da vida familiar. Isso permite a identificação do lugar de cada um na família e é um grande organizador da vida emocional da criança”, explica a psicóloga Maria João Pimentel.

Ou seja, o mal não está tanto em dizer-se às crianças que se é o melhor amigo delas, mas em agir como tal: “Os pais não têm de ser os melhores amigos dos filhos, senão não conseguem estabelecer e fazer cumprir regras.”

Entre a escola, o apoio ao estudo, as actividades extracurriculares e os trabalhos de casa, os seus filhos podem muito bem estar ocupados de manhã à noite e ainda uma boa parte do fim-de-semana.

“No outro dia, o meu filho mais novo [5 anos] disse-me: ‘Não tenho tempo para brincar.’” De facto, admite Catarina Machado, o quarto de brinquedos está lá, mas praticamente só é usado aos domingos. A brincadeira livre, mostram várias investigações, contribui para a autonomia, a segurança e a estabilidade emocional das crianças, e para a sua felicidade.
 
“Elas têm de ter tempo não só para brincar”, como sublinha Maria João Pimentel, “mas também para escolherem o que querem fazer, para se organizarem, para pensarem.”

 

Artigo retirado de: http://www.sabado.pt//Multimedia/FOTOS/-span--b-Sociedade-b---span--(1)/Fotogaleria-(276).aspx?id=432430

publicado por paisaflitos às 10:20 | comentar | favorito
13
Jan 12

Crianças desafiantes

Crianças e jovens que desafiam

O problema:  resiste constantemente aos mais simples pedidos e à autoridade, estica os limites. É desrespeitador e confrontadora.
Não assume responsabilidades.

 

Enfrentar o problema: o objectivo é que a criança ou jovem aprenda uma forma mais respeitadora de expor os seus pontos de vista e que pais e filhos consigam desenvolver uma forma mais saudáveis de comunicar.

Porquê mudar? Sente-se exausto ao final de mais um dia de “batalha” com o seu filho? Luta para que ele o obedeça? Teme que ele desafie a sua autoridade em público? Está farto dos olhares incriminatórios dos outros, como quem diz que não sabe educar o seu filho? Se alguma destas situações o descrevem, é provável que tenha um filho desafiador. Esta atitude desafiadora não é uma fase e não vai desaparecer de um dia para o outro. É necessário ter uma intervenção consciente. Tem de estar disposto a mudar, não só o seu filho mas as suas práticas educativas. Se lhe serve de consolo, não está sozinho. Tem de ser empenhado, ter paciência e esforçar-se, pois lidar com crianças desafiadoras é um dos maiores desafios que terá como pai ser. Ajudar o seu filho a moderar a sua atitude e encontrar alternativas para exprimir adequadamente as suas necessidades não só melhorará muito a sua vida e relação familiar, mas também possibilitará o seu filho a ser bem sucedido em termos sociais, agora e mais tarde.

 

Sinais e sintomas: Todas as crianças e jovens resistem às ordens dos pais, pontualmente. Só é preocupante se for um padrão, no qual frequentemente exibe muitos destes sinais:

  • Inflexível: é mesmo teimoso; não cede a ver as coisas do ponto vista do outro
  • Desobediente: recusa-se a fazer as tarefas mais rotineiras
  • Desafiador: questiona ou não aceita a sua autoridade
  • Temperamental: está muitas vezes zangado, perde a calma, grita frequentemente
  • Irritável: é facilmente irritável, é sensível demais.
  • Resiste à autoridade: discute com os adultos, não está disposto a aceitar a autoridade
  • Envolve-se em lutas de poder: estica todos os limites e transforma tudo numa discussão - que quer ganhar.
  • Culpa dos outros: não assume a responsabilidade pelos seus erros ou mau comportamento
  • Desrespeitador: é insolente, rude e mal criado.

 

Se há um padrão recorrente deste tipo de comportamento, então é altamente recomendável que intervenha.

 

 

PASSO 1: INTERVENÇÃO PRECOCE:

 

Preste atenção: atitudes desafiadoras, rudes e desrespeitosas nunca devem ser toleradas, mas isso deve compreender porque o seu filho está a agir desta maneira.

 

 

  • Disciplina desadequada:será a disciplina tão dura que o seu filho rebela-se, ou tão fraca que permite que ele saia sem consequências das sua atitude desafiadora, ou tão inconsistente que ela não sabe o que esperar?
  • Relacionamento. Existe atrito com um dos pais, em particular? Existe falta de tempo passado com um dos pais ou ambos? A criança sente-se amada?
  • Ressentimento e ciúme. Poderá estar a sentir ciúmes de um irmão, colega, ou dos seus relacionamentos com outros adultos?
  • Sentimentos de inadequação. Poderá  estar a compensar a baixa auto-estima, inadequação, ou uma sensação de "eu não sou suficientemente bom"?
  • Temperamento explosivo ou rápido. O seu filho tem dificuldades em controlar sua raiva? Normalmente tem “pavio curto”? O seu filho sempre foi um miúdo mais difícil?
  • Ansiedade indevida ou stress. Há fortes pressões para ter sucesso (académico, social, atlético)? A competição é um grande tem em casa? Tem a vida tão programada que não tem tempo para a inatividade?
  • Dificuldades de aprendizagem: Poderá o seu filho ter uma dificuldade de aprendizagem ou déficit de atenção, que provoca dificuldades no processamento do que ouve?
  • Depressão. Poderá ter sofrido ou estar a sofrer de um problema emocional, depressão ou trauma que terá provocado esta atitude?
  • Expectativas injustas. Poderão ser as suas expectativas irreais ou injustas? São apropriadas para o seu nível de desenvolvimento?
  • Álcool ou abuso de substâncias. Há alguma possibilidade de estar a usar álcool ou droga ou substâncias  tóxicas (cola)?
  • Tratamento abusivo. Estará o seu filho a ser mal tratado? É tratado de forma respeitosa? Será que, agora ou no passado, foi verbal ou fisicamente abusado?
  • Dinâmicas familiares permissivas: estará o seu filho a pedir mais balizas, regras, limites? Estará a pedir que assuma o controlo da vida familiar, que seja o chefe de família?
  • Modelagem: estará o seu filho a copiar o comportamento de alguém?

 

Converse com outros adultos: converse com outros adultos que lidam com o seu filho e pergunte qual é a sua opinião em relação às razões que podem estar por trás deste comportamento.
Haverá algum adulto com que o seu filho não demonstra os típicos comportamentos desafiantes? Se sim, observe como interagem e como o seu filho lhe responde. Há algumas lições que possa tirar dessa observação?

 

Identifique o que despoleta: ele comporta-se sempre da mesma maneira, ou há assuntos em que é diferente? Divida uma folha de papel em duas e listas: de um lado a lista de “alta tensão”, o que faz sempre abrir as hostilidade, do outro, o que corre bem – pelo menos às vezes. As crianças e jovens costumam colaborar quando as tarefas onde têm sucesso, são do seu agrado, nas quais se sentem menos ameaçados. Há um padrão?

 

Escolha as suas batalhas: estas crianças tornam as suas batalhas em momentos poderosos de confronto, por isso é importante seleccionar os assuntos que acha realmente importantes (trabalhos de casa, modos, tomar medicamentos, etc) e abandone assuntos menos importantes (fazer a sua cama, por exemplo). Há alguma coisa na lista de “alta tensão” que possa cortar? Poderá a tensão estar a ser despoletada pela forma como lhe está a solicitar colaboração? O primeiro objectivo é reduzir a tensão e obter colaboração da criança. Um forma do o conseguir é ser menos controlador e escolher as batalhas de forma sensata.

 

Seja ummodelo de respeito: poderá estar a aprender consigo? Por exemplo, quer que as coisas sejam “à sua maneira” junto dos outros adultos? Recusa-se a ouvir os pedidos dos outros ou a negociar?  Espera que as regras da família sejam obedecidas, sem excepções? O conflito faz parte da sua relação com o outro progenitor? É demasiado exigente ou controlador? O seu filho observa-o aos gritos? Em jogos de “tratamento de silêncio”? Sair e bater com a porta?

 

Verifique a sua resposta actual: tem de ser muito honesto, agora. Como reage ao seu filho? Como comunica os seus pedidos? Fá-lo de uma maneira calma e tranquila ou aos gritos, irritado, ameaçando? É delicado e respeitador? Como são as suas comunicações não verbais – rola os olhos, suspira, encolhe os ombros, ou aguarda pacientemente?

 

 

PASSO 2: RESPOSTAS RÁPIDAS

Baixe a intensidade: na próxima vez que o seu filho o desafiar, a primeira coisa que tem de fazer é ficar calmo. Se grita ou descontrola-se, a probabilidade da tensão aumentar é grande.

 

Explique as suas expectativas com respeito: quando você e o seu filho estiverem calmos, explique que, de ora em diante, o que espera dele é colaboração nos pedidos que lhe faz. Explique que não pode haver dúvidas em relação à forma como as coisas se passarão. Pode dizer “se eu
parecer sério ou disser “estou a falar a sério” é porque é mesmo a sério. Explique que se não for feito o que quer, haverá consequências educativas adequadas.

 

Ceda algum controle: uma criança desafiante adora controlo. Deixe que ele decida algumas das suas consequências em caso de falha. Não tem de concordar com as sugestões, mas pode ser um bom início de conversa. É uma forma do o envolver no processo.

 

Reduza as lutas verbais: Crianças desafiantes estão sempre a esticar os limites.. Assim, uma grande parte da sua nova resposta é tentar encontrar maneiras de reduzir as lutar verbais. Aqui estão as opções:

  • Período de transição: É realmente difícil para algumas crianças mudar o comportamento, por isso ceda um tempo ou período de transição: ". Vou precisar de tua ajuda em três minutos" "Eu tenho que falar com você em dois minutos”.
  • Dê opções: Dar apenas um pouco de liberdade, às vezes quebra um resistente. "Os trabalhos de casa precisam ser feitos hoje. Gostarias de acabar com eles antes do jantar ou depois?" Oferecer apenas aquelas escolhas que você concorda.
  • Compromisso. "Tens de ir estudar para o teste agora, mas estás a praticar futebol tão bem… concordas em fazer estudar meia hora?" Não deixe que o seu filho o force a um compromisso que você não acha justo ou apropriado.
  • Agir como um disco riscado. Diga por que você quer que seu filho cumpra e, em seguida, repita a sua posição tantas vezes quanto haja argumentação do outro lado: "As visitas estão a chegar dentro de 20 minutos, tens de ir tomar banho agora". Calmamente, repita as mesmas palavras de cada vez que seu filho tentar argumentar. Não seja sugado para a discussão. É difícil argumentar com uma pessoa que se recusa a discutir.
  • Tente o humor. Não ser sarcástico (que será imediatamente um tiro pela culatra), mas um pouco de humor pode ajudar a resolver uma situação. O truque é dirigir a piada em simesmo ou ao acontecimento, mas não sobre seu filho. Crianças desafiadoras são frequentemente hipersensíveis e, embora eles não consigam lidar com uma brincadeira destinada a si, às vezes conseguem rir de alguém. Rir une as pessoas.
  • Permitir desculpas legítimas. Há sempre a possibilidade de que seu filho tem uma desculpa legítima por não cumprir com o seu pedido, por isso ouça. Você pode dizer: "Se tens realmente uma boa razão para fazer o que te pedi, diz-me num tom respeitoso."
  • Espere o cumprimento e não ceda. Suponha que seu filho ainda se recusa a obedecer. Respire fundo para manter-se calmo e, em seguida, informe o seu filho num tom controlado mas firme, de que esta é uma ordem e não há mais negociação. Aviso: não defender, argumentar, negociar, pedir. O seu filho pode tentar vários truques: argumentar, por palavras na sua boca, e chamá-lo de "injusto".
  • Aplicar uma consequência. Caso você tenha sido claro com suas expectativas, mas seu filho continua a desafiar, então é hora de definir uma consequência. Consequências eficazes são claras para a criança, têm um tempo especificado, relacionam-se diretamente com as atitudes, são adequadas à idade e temperamento. Elas também devem causar um pouco de frustração para que a criança se disponha a mudar seu comportamento. Seu filho tem que aprender que você está a falar a sério. Estas são as consequências adequadas para as diferentes idades das crianças desafiador:


Castigo. Para as crianças até os oito anos, o castigo talvez seja apropriado. Isto é, remover imediatamente a criança das actividades e pedir para sentar-se sozinha, em silêncio, por um tempo especifico para pensar sobre suas ações – o tempo apropriado costuma ser tantos minutos quanto a idade que tem: 8 minutos para 8 anos. Adapte, dependendo da idade do seu filho, da suas personalidade e da gravidade da infracção. Para algumas crianças é uma crueldade insuportável, para outros não é de "diversão", mas não é um drama. Certifique-se que quando a criança completa o castigo, ela deve fazer, imediatamente a seguir, o que lhe pediu ou ordenou e que originou o castigo.

 

Perda de privilégios. Se a ofensa é particularmente importante ou o desafio continua, deve remover os privilégios de entretenimento, como televisão, jogos de computador, vídeo e telemóvel. Certifique-se que é algo que você tem controle e certifique-se que controla a perda de privilégios – não há nada mais inconsistente do que “esquecer-se” que retirou um privilégio ou permitir que a criança se “esqueça”.

 

Não sair de casa. Com excepção para a escola e actividades religiosas – se a sua família for religiosa – pode confinar o espaço de convívio à casa por um determinado período de tempo. Geralmente por algumas horas - para crianças pequenas - ou e 1, 2 dias para crianças mais velhas. Deve perder todos os privilégios sociais. Esta medida deve estar definida à partida e é só ser utilizada se o desafio for contínuo e deliberado.

 

Dar aos outros. Encontrar um projeto de serviço para os outros que o seu filho possa fazer (com a supervisão de uma adulto) pode ser uma hipótese. Pode ser limpar o jardim, ajudar nas tarefas de família, ajudar crianças carentes, etc. Lembre-se, uma criança desafiante colocam as suas necessidades em primeiro lugar, por isso exigir que o seu filho a faça alguma coisa para os outros pode vir a ser uma punição significativa. A única regra é que não podem ser actividades humilhantes ou perigosas.

 

Obtenha ajuda. Se você já tentou estas sugestões e alterou a sua conduta, mas o seu filho continua a exibir um comportamento desafiador, então não espere mais e peça ajuda de um profissional de saúde mental. Pode haver outra coisa a provocar este comportamento, e você deve ao seu filho e à sua família chegar ao fundo da questão.

 

 

3. HÁBITOS DE MUDANÇA

Foco sobre o comportamento que você quer. Se seu filho tem revelado esta atitude por um tempo, então é provável que a sua atenção está muito virada para as coisas que ela não está a fazer bem. Pergunte-se qual a percentagem de tempo num dia típico em que você está numa relação negativa com o seu filho. A maioria dos pais admite que é pelo menos 75 por cento do tempo. A chave é começar a mudar seu foco para o comportamento que você quer e não o comportamento que você não quer. Pode ter de construir situações onde é quase garantido que o seu filho vai ter sucesso. As crianças aprendem o comportamento (bom ou mau) de prática. Actualmente, seu filho está apenas a praticar (e a aprender) o comportamento desafiador. Assim que encontrar maneiras de ajudar seu filho a aprender uma outra maneira de responder reconheça o seu comportamento positivo imediatamente a seguir à resposta adequada. No fundo a ideia é: apanhe-o a fazer coisas bem feitas.

 

Regra de Ouro. Enfatizar a Regra de Ouro em sua família: Ex: "Trate os outros como você gostaria de ser tratado". Explique que uma forma simples de determinar se você está agindo com respeito é perguntar-se antes de agir: "Será que eu quero alguém para me trate assim?" Depois de o seu filho entender o significado da pergunta, use-a em momentos em que a sua atitude é desadequada: "Estás a usar a Regra de Ouro?" assim ajuda-o a pensar sobre sua atitude e suas consequências para os sentimentos dos outros.

 

Criar regras novas na família. Muitas famílias desenvolvem um conjunto de "regras de respeito" que todos concordam e que orientam o modo como todos se tratam. É importante que a criança sinta que participou na escolha das regras. Vai ver que chegarão à mesma conclusão e que as regras resultantes da negociação são exactamente aquelas que você escolheria. Comece com a questão: "Que regras devem orientar a forma como nos tratamos uns aos outros na nossa família?" Escreva todas as sugestões num papel. Se não houver acordo pode usar o processo democrático e votar. O que resulta daqui pode ser a Constituição da Família. Aqui estão alguns exemplos: Não usar o que não é nosso sem pedir; Ouvir um ao outro; Não transmitir aos outros o que é dito em segredo; Tratar uns aos outros como você gostaria de ser tratado; etc.

 

 

O QUE ESPERAR CONSOANTE AS IDADES

Pré-escolar.
As crianças destas idades vão testar os limites e as regras, por isso mantenha as suas expectativas realistas. Lamentar-se e fazer birras são as formas mais comuns para mostrar a atitude desafiante. Nestas idades, as crianças têm uma linguagem emocional limitada. Assim descrever sentimentos intensos pode ser difícil. Você pode ouvir "Eu odeio-te!" “És a pior mãe do mundo!”. Não assume estes comentários como pessoais, mas explique uma alternativa saudável de verbalizar os sentimentos: "Eu sei que estás zangado, mas falares assim feres os meus sentimentos. Podes dizer-me que estás chateado, que eu compreendo. Podes dizer “Mamã, eu estou zangado, porque não me deixas ver televisão".

 

Idade escolar. Ele pode querer chamar nomes, comportamento muitas vezes modelado pelo que vê na rua. Não permita! Pare os comportamentos desafiantes agora antes que chegue a adolescência, altura muito mais difícil devido a este ou outros problemas.

 

Adolescência. Depressão, falta de sono, modelagem de comportamentos negativos, abuso de substâncias e álcool podem ser a causa ou a consequência dos comportamentos desafiantes. As hormonas estão ao rubro, as alterações de humor são constantes. Rolar os olhos, encolher os ombros, virar as costas são alguns comportamentos frequentes nestes jovens. Sofrem da pressão dos grupos de amigos. As discussões com os familiares são constantes.

publicado por paisaflitos às 19:52 | comentar | favorito

Mentira / Engano / Roubo

O problema: criança mente, exagera, não se pode confiar na sua palavra, já teve episódios de ficar com o que não é seu.

 

Enfrentar o problema:  o objectivo é que a criança aprenda que a honestidade é a melhor política, desenvolva consciência saudável, admita o seu erro, e aprenda o benefício de se relacionar com os outros na base da verdade.

 

Porquê mudar: todas as crianças, desde a infância à adolescência, “esticam a verdade” pelas mais variadas razões: evitar castigos, ficarem com boa imagem, livrar-se de uma tarefa, ajudar um amigo em apuros, etc. Este comportamento começa por volta dos 2 ou 3 anos. A mentira faz parte do crescimento, mas se a desonestidade vai ou não fazer parte do seu carácter, é algo que depende largamente da forma como nós reagimos a esse comportamento. Mais importante, depende da nossa relação com verdade, pois as crianças modelam o nosso comportamento.

 

Sinais e sintomas: falta de confiança dos colegas e de outros adultos; má reputação; hábitos de plágio do trabalho dos outros ou copiar na escola; mentiras frequentes; mentir sem razão ou motivação aparente; não aparenta culpa quando mente, rouba ou engana.

 

 

PASSO 1: COMPREENDER E CONSCIENCIALIZAR:

Preste atenção: A criança pode estar a mentir porque quer:

  • Agradar-lhe, ganhar a sua aprovação, não o desiludir, retirar-lhe preocupações.
  • Satisfazer um desejo que ela quer que se torne realidade.
  • Evitar a frustração, punição, assumir responsabilidades.
  • Resolver um problema; obter atenção.
  • Ganhar protagonismo, impressionar os outros, aparentar competência.
  • Ultrapassar a baixa de auto-estima.
  • Proteger um amigo ou irmão.

Compreender as razões: Preste mais atenção ao comportamento da criança: há alguma razão que justifique o comportamento? Copia os trabalho a matemática porque é preguiçoso ou porque não percebe a matéria? Põe a roupa suja nas gavetas porque tem falta de noções de
higiene ou porque não consegue arrumar o quarto no tempo que você estabeleceu?

 

Esperar honestidade: pais que educam para a honestidade esperam que as crianças sejam honestas e devem dizê-lo abertamente: “as pessoas da nossa família dizem a verdade”, “prefiro que me digas a verdade, mesmo que seja difícil, e eu prometo compreender-te”, “zango-me menos se me disseres a verdade”.

 

Facilite a aproximação: uma postura muito rígida vai dificultar a aproximação. Facilite. Dê abertura para que a criança se sinta capaz de confessar um erro.

 

Modele a honestidade: Num estudo, 77% dos pais admitiram que mentiam aos filhos ou em frente aos filhos. A melhor forma das crianças aprenderem novos hábitos é pela modelação. Tradução: as nossas crianças estão a aprender a mentir porque nos estão a imitar. Já contou
uma história “ao lado” com os filhos a assistir? Já guardou um troco que lhe foi dado indevidamente? Já pediu ao seu filho para dizer que não está, quando alguém telefona? Já mentiu sobre a idade do seu filho para não pagar bilhete? Cuidado, ele está a ver!

 

 

PASSO 2: RESPOSTAS À MENTIRA

Embora não seja possível acabar com a mentira do dia para a noite, aqui ficam algumas sugestões sobre como actuar.

 

Não se exalte: tente manter a calma. A exaltação fará cm que ele não venha ter consigo na próxima vez que errar. A maior razão para as crianças mentirem é medo da reacção dos pais. Respire fundo durante um minuto. Avalie o castigo adequado a aplicar a esta situação – decisão baseada na idade e capacidade de compreensão da criança, premeditação, gravidade, duração, assumpção de culpa, etc.

 

Não armadilhe: faça uma abordagem não ameaçadora. Em vez de “Partiste o prato”, tente “aconteceu um acidente? Deixa-me ajudar a limpar. O que aconteceu?”

 

Não chame nomes: Chamar “mentiroso” ou “ladrão” é ofensivo e desadequado. A criança tem tendência de se confundir com o comportamento – em vez de pensar que errou naquela situação, pode achar que é assim, não há nada a fazer.

 

Seja claro e conciso: “O treinador disse que não foste ao treino. O que aconteceu?”, “ a cama não estava feita como eu te pedi”, “Não me contaste
tudo o que aconteceu na festa, preciso que sejas honesto comigo”

 

Estabeleça consequências: as consequências devem estar relacionadas os comportamentos errados. Se copiou pelo colega, deve repetir o trabalho sozinho. Se roubou um objecto, deve pagar um objecto idêntico novo a quem roubou. Se estragou um telemóvel do amigo, deve oferecer o seu. Se estragou o seu, deve ficar sem nenhum até que fosse altura de comprar um novo.

 

Desejos e realidades: converse com ele sobre a diferença entre desejar algo e ter. Resistir à frustração é uma parte essencial do crescimento e uma das melhores contribuições que poderá fazer para o crescimento saudável. Nem tudo o que queremos podemos ter.

 

 

PASSO 3: HÁBITOS DE MUDANÇA

Ensine a honestidade: mostre as várias situações em que era mais fácil ser desonesto, mas optou pelo caminho mais longo, mas correcto. Conte histórias de livros que abordem a honestidade. Mostre que todos erramos, mas não é o erro que nos define – é a forma como o corrigimos.

 

Explique as repercussões:  ser desonesto está errado porque: vai arranjar-lhe problemas; dá má reputação ao próprio mas também à família, pois as pessoas pensam que ão deram a educação certa ; magoa os outros; envergonha-nos; perdemos a confiança dos outros colegas e adultos; pode ser fonte de problemas muito sérios e irreversíveis (se copia na escola pode ter notas anuladas e chumbar de ano).

 

 

O QUE ESPERAR, CONSOANTE AS IDADES:

Pré-escolar: cerca dos 3 anos os acrianças mentem para evitar as consequências. Têm imaginação forte e às vezes é difícil separar ficção de realidade. As mentiras tornam-se mais sofisticadas com a idade, de forma a “esticar” a verdade a seu favor.

 

Idade escolar: nesta idade as crianças  já sabem que mentir não é aceitável, mas testam as barreiras para perceber até onde conseguem ir
sem ser apanhados. As mentiras são mais deliberadas e inteligentes e são usadas como forma de resolver problemas. Mentem para evitar castigos, impressionar os outros, para obter alguma coisa, aumentar a auto-estimar ou impressionar os outros. Se até aos 7 anos a criança não aprende que mentir lhe traz problemas sérios, a mentira torna-se um hábito o resto da juventude.

 

Adolescência: os adolescentes sabem que mentir é enganar e que há consequências, por isso nesta idade a mentira torna-se mais significativa. As mentiras são mais convincentes e é mais difícil admitir mesmo quando é apanhada. Podem mentir para evitar discussões com os pais, para proteger um amigo, ou se sentirem que a sua privacidade está a ser invadida. É particularmente importante ter atenção para que a mentira não se torne um hábito.

publicado por paisaflitos às 19:47 | comentar | favorito
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Jan 12

1º Passo

Este é o primeiro passo de um blogue que se espera produtivo e eficaz...
Aqui esperamos reunir informação que nos ajude no nosso dia-a-dia, como Educadores!

Esperamos que apreciem...

 

 

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